Dia da Mãe Terra e Fashion Revolution Day

(by Yoko)

Ufa! Eu ia postar nosso carnaval Beatles, com o bloquinho do Sargento Pimenta, mas mudamos de casa e tudo o mais… e já passou até a Páscoa! Mas continuo querendo compartilhar por aqui algumas coisas boas pra vida – e, por conseguinte, boas para o planeta.

Esta semana foi o Dia da Terra e também o Fashion Revolution Day. Ultimamente nós temos ouvido bem mais sobre os impactos ambientais e a questão da sustentabilidade, teve até crianças protestando por aí, certo? Muitas marcas tem propagado suas iniciativas mais conscientes, hoje em dia vamos ao mercado e vemos várias opções “eco”, desde travesseiro feito com materiais reciclados, sabão líquido detox, até canudinho de papel.

E a moda (pasmem, eu fiquei pasma quando soube) na verdade polui mais que os transportes!?

Euzinha nunca entendi de moda, e nunca tive muito interesse nisso, nunca liguei para marcas, só queria usar roupas confortáveis e que expressassem um pouco do que eu sou. Isso incluiu uma época em que eu queria me vestir como personagens de cinema, ou quando eu vestia camisetas de filmes que eu gostava, e mais recentemente eu parei para pensar em coisas que eu gostaria de fazer e o que seria possível já (sem esperar que um dia eu fique rica e famosa, rs).

Uma delas era usar somente roupas que fossem feitas de materiais recicláveis ou que tivessem essa pegada sustentável, consciente quanto ao meio ambiente. Talvez 20 anos atrás, quando primeiro pensei nisso, não fosse possível, mas agora já é uma realidade. E eu comecei a pesquisar, li vários posts pela internet e cheguei a adquirir algumas peças para começar a montar esse guarda-roupa ideal.

Eis que… bem, vamos devagar com o andor, né. Quando a gente procura por aí sobre eco fashion, aparecem várias opções de marcas veganas principalmente e eu procurei por marcas brasileiras recomendadas. Afinal, ser consciente na moda também é considerar os processos – tanto dos materiais utilizados, quanto a produção, a entrega, o ciclo todo, enfim. E faz sentido querer adquirir peças feitas localmente, pelo menos no próprio país, já que isso por si só já implica menos pegada de carbono.

Hoje, eu vou citar apenas 2 coisas: uma marca brasileira que realmente achei bem legal e uma questão mais delicada.

Insecta

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Se você pesquisar por aí, todos os blogs e todo mundo recomenda a Insecta. Realmente, eu me cadastrei para receber as novidades da empresa também, e é ótimo! De vez em quando eles nos enviam outras dicas de consciência ambiental – pode ser um kit de beleza ou um texto sobre transparência na moda.

É muito legal porque eles já utilizam materiais recicláveis na confecção dos produtos, as sobras vão servir para o solado, e depois ainda fecham o ciclo – quando você não quiser mais seu sapatinho pode devolver a eles para um novo ciclo e ainda ganhar desconto. Eles oferecem diversos modelos e estampas, os sapatos vem até em uma bolsinha de pano, que dá pra gente usar pra levar numa viagem, por exemplo – nada de plástico!

Por enquanto só tenho um par, mas com certeza comprarei outros quando precisar e recomendaria a marca.

Osklen

A Osklen se diz uma das pioneiras em sustentabilidade na moda do país. Pode até ser, e isso é muito louvável, imagino que eles produzam peças desde um tempo em que quase ninguém ainda falava nisso. Uma das últimas coleções inclusive é bem esperta, pegando a sigla ASAP (muito usada no inglês, as soon as possible) como “as sustainable as possible”.

Tudo bem que as peças eco são um pouco mais caras do que as feitas em produção em larga escala das grandes lojas de departamentos, por exemplo; já que são mais exclusivas, pensam mais no design e materiais e a cadeia de produção inclui processos mais custosos, mas que são práticas mais éticas – trabalhadores com condições e salários dignos (pelo menos deveria ser assim).

Porém, como já mencionei acima: gente! Eu não sou rica. E eu não posso dizer que a Osklen é pra qualquer um. As peças são bem mais caras do que a maioria das peças no mercado, mesmo as de Outlet. Digamos que é porque ela já é uma marca que ficou conhecida e privilegiada por material de qualidade. Tudo bem.

A ideia de moda sustentável está intrinsecamente ligada à moda consciente, ou seja, a ideia nem é comprar um mooonte de peças, mas de realmente adquirir peças que vão ter vida longa, o que diminui a produção e o consumo desenfreado – e diminui o impacto ambiental.

Tudo bem, então, ser caro? Hmmm. Eu comprei uma camisa da Osklen, e me arrependo. Isso é algo pessoal, mas este é um blog pessoal. Eu estava precisando de uma camisa, e decidi experimentar. Uma simples, branca.

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Chegou em casa a peça do Rio de Janeiro (acho que em loja de São Paulo não tinha) e cheirando a rhyyyca. Hahaha. Desculpem. Mas… na etiqueta, inclusive a grudada na camisa, o produto foi feito na China. Hmmm.

Na foto acima, tem também a etiqueta de uma peça da Zara. Essa já é uma outra discussão, mas eu também pesquisei sobre as iniciativas sustentáveis de grandes cadeias de loja, como a C&A e a Renner. Gostei de algumas coisas da Renner, calcinhas de algodão responsável e alguns produtos de beleza. E a Zara lançou uma coleção, “Join Life”, que seria mais responsável ambientalmente.

Teve um dia que andei pela Zara e achei que era legal ter o símbolo da FSC e de reciclagem nas etiquetas, será que seriam peças cujos materiais vinham de reflorestamento? Mas o problema é que tooodas as peças tinham esses símbolos. E daí fui dar uma olhada na internet, descobri aquela coleção específica. Eu estava precisando de um vestido para ir a um casamento, estava meio desesperada porque não tinha muito tempo pra comprar e por acaso eu tinha gostado daquele modelo, e por acaso era da “Join Life”. Então eu comprei. É só 25% de fibras recicladas, mas já era alguma coisa, porque eu tinha decidido que não queria mais adquirir “qualquer coisa”.

Mas porque estou falando da Zara agora? Alguns anos atrás houve uma polêmica sobre empregarem um trabalho quase escravo. Eu não sei se esse problema foi realmente resolvido, mas é uma questão para pensarmos.

Oras, se lá em cima eu falei que a questão da moda sustentável também inclui pensar nos processos e não só nos materiais, adianta muito o meu produto “local”, de “fibras finas” ter vindo da China? Ou mesmo sendo feito de fibras recicladas, como será que foi o processo de confecção e o quanto teve de impacto ambiental até chegar na minha mão?

Isso sem falar que os próprios materiais dessa nova moda eco devem ser considerados com cuidado – PET reciclado é realmente uma boa ideia? Mas isso já é assunto pra outro post.

E eu ainda estou engatinhando nessa questão, continuarei com meus “experimentos”, mas por um bom tempo acho que não vou comprar algo da Zara, ou da Osklen. Se algum leitor por aí quiser deixar dicas, fique à vontade nos comentários.

Talvez nós não precisemos de um “Dia da Mãe Terra” pra pensar nessas questões, deveria ser um assunto de sempre, e não de um dia só. Mas talvez seja uma boa oportunidade pra quem nunca parou pra pensar, dar uma repensada em como consumimos, o quanto estamos realmente contribuindo para uma indústria ou para o bem maior, para um mundo mais sustentável e melhor.

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Retrospectiva do casamento: o drama do vestido de noiva! Dá pra confiar num vestido da China?

(by Yoko)

Um casamento que muita gente comentou ano passado foi da Marina Ruy Barbosa, casamento dos sonhos e tal. Coincidentemente, na maratona de casamento que fiz ano passado eu também teria uma cerimônia budista, e outras, e precisaria de diversos “looks” de noiva. Mas, diferente da Marina, xenti, eu não sou rhycaaa

Pois é, vocês viram no post do bolo o desenho da noivinha, e na medida do possível meu look seria daquele jeito, com uma florzinha na cabeça e um vestido longo, mas simples. E como seria no início de junho, imaginei que seria meio friozinho, então acrescentei a estola.

Como já disse antes por aqui, eu nunca tive um super sonho de casar de branco entrando na igreja, mas entendo que existe um certo “look” para noiva. Eu frisei várias vezes para minha mãe que queria algo simples, pois nosso casamento seria assim, simples, só registro civil e almoço depois. Quer dizer, daí teria a benção budista e depois a benção católica, e almoço em Belém do Pará. Mas todas essas ocasiões não pediam nada de pomposo.

Claro que, sendo mãe, ela queria que eu usasse um vestidão, né… me levou em Feira das Noivas, fomos juntas olhar as várias vitrines da Rua das Noivas em São Paulo, e mesmo para alugar ia acabar saindo uns 3 mil ou mais (pode sair bem mais!). Minha mãe tinha dito que ia pagar o vestido, e a gente começou a se empolgar com a ideia de um vestido da China.

É, você, noivinha econômica como eu, já deve ter pesquisado por aí e se deparou com essa possibilidade. Tem vários casos de pessoas e elas testemunham com comentários nos próprios sites (os que eu mais visitava era o “Light in the box” e o “JJ’s house”). Sim, tem alguns vestidos lindos, você pode colocar todas as suas medidas lá para eles fazerem um específico para você e sai bem mais barato do que ir em qualquer loja… Mâs… sempre temos o “mâs”.

Eu já tinha comprado um vestidinho no final do ano anterior, porque já imaginava que logo logo iríamos casar mesmo, eu tinha adorado assim que bati os olhos e era todo rendadinho, delicado, na minha cabeça serviria perfeitamente e combinava comigo. Só que não era longo e com aquela “cara” de noiva. Mas, para mim, só de eu me vestir toda de branco e colocar um detalhe no cabelo com véuzinho, já era noiva… OK. Conversamos, e decidi usar esse no registro civil. Depois, na recepção e em Belém eu usaria o da China.

Só que… o vestido da China não chegou. Pois é. Mesmo eles calculando o tempo de confecção, envio e tudo pelo site, e mesmo eu achando que tinha um tempo de sobra ainda após todos esses cálculos… 2 meses não foram suficientes para o vestido chegar. Quer dizer, eu até rastreei e vi que ele veio para o Brasil, mas pelo que entendi parou na imigração e foi enviado de volta para a China…

Triste, não é? Pois bem, um dia antes da data, lá estava eu no Bom Retiro, em São Paulo, rua que tem vários vestidos de festa a preços mais em conta. Encontrei um vestido branco que serviu e era um modelo até quase parecido com o que eu tinha pensado. Como sou baixinha, tive que fazer a barra, mas a moça da loja me recomendou um lugar, e dali duas horas meu vestido estaria pronto. Na mesma loja comprei a estola. 279 reais o vestido e a estola, mais uns vinténs para a barra. Sim, noivas econômicas, dá pra casar com um vestido de menos de 500 reais, comprovei isso! E não precisa vir da China.

E no mesmo dia eu também passei de novo na Rua das Noivas só pra comprar a flor com véuzinho para o cabelo (fascinator, pelo site iria sair uns 30 reais, na Rua das Noivas, 150, mas pelo menos tá na mão, né…). Aliás, na Rua das Noivas existe de tudo, tudo mesmo, para uma noiva, sapatos específicos, itens para a festa, para as madrinhas, para o noivo… porém, eu não diria que é o lugar mais econômico…

Mas e daí, como ficou? Ficou que eu usei o vestido que eu tinha comprado meses antes até de confirmarmos que íamos casar! Hahaha!

Primeiro, no registro civil, de manhãzinha que estava mais frio, usei com a estola.

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Depois fui para o nosso apartamento me trocar, porque iríamos então para o salão do almoço e tínhamos que levar várias coisas.

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(as pérolas são da minha mãe)

No almoço, estávamos de John & Yoko e fizemos uma “performance”, demos nossos agradecimentos. Mas antes, fomos cumprimentando o pessoal, que pôde tirar foto com a gente também, como John & Yoko.

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Daí troquei de roupa de novo. Como era o salão do prédio da minha tia, até isso foi bom! Deu para eu subir no apartamento dela e me trocar 🙂 E fizemos uma nova entrada no salão, agora bonitinhos de Deni & Leno, para brindarmos, cortarmos o bolo, tirarmos fotos com os parentes…

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(E nessa entrada pedi para duas amigas soltarem bolhas de sabão! Foi muito fofo! É aqueles vidrinhos de bolhas para crianças mesmo, sabe? 2 reais na 25 de Março?)

Sim, depois iríamos para Nova York, para a bênção budista. E eu usei o mesmo vestido no templo de lá! ehe

Depois que voltamos para o Brasil, fizemos a bênção católica em Belém do Pará e um almoço, daí eu usei finalmente o vestido do Bom Retiro, que acho que combinava mais com o clima do lugar (NY também não tava calor!).

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Vai dizer que a gente é meio maluco, né? É, não somos rhycos (Marina também casou pelo budismo, mas na Tailândia; na igreja católica e teve super festa), mas até que fizemos muita coisa! E o vestidinho rendado? É da Renner, minha gente, 150 reais. O mais barato de tudo. O sapatinho branco usado em São Paulo foi 60 reais (porque fiquei enrolando para achar um sapatinho mais “interessante”, mas acabei optando pelo simples e bom, mesmo).

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Ah, sim! O noivo usa Zara, paletó e gravatinha borboleta. As perucas e óculos do “John & Yoko” são da 25 de Março.